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domingo, 14 de dezembro de 2008

Publicação da Teoria de Darwin


O livro de Darwin apareceu em Novembro de 1859 e causou imediata sensação. Muitas pessoas ficaram profundamente perturbadas pela sugestão de que os humanos eram descendentes dos mesmos ancestrais que os macacos. Darwin na verdade não discutiu este assunto no seu livro, embora fosse uma consequência dos princípios nele apresentados. No livro subsequente, “The Descent of man” Darwin apresenta o argumento directamente, construindo uma poderosa argumentação de que os seres humanos e os macacos actuais têm ancestrais comuns. Apesar de as pessoas aceitarem desde há muito que os humanos se parecem com os macacos em muitas características, a possibilidade de ter havido um relação evolucionária directa entre ambos era inaceitável para muitos. No entanto, os argumentos de Darwin a favor da teoria da evolução por selecção natural era tão fortes que os seus pontos de vista foram quase completamente aceites entre a comunidade intelectual após 1860.

Wallace teve a mesma ideia

O estímulo que finalmente levou a teoria de Darwin à impressão foi um ensaio que ele recebeu em 1858. Este ensaio foi enviado da Malásia a Darwin por um jovem naturalista inglês chamado Alfred Russel Wallace (1823 - 1913); ele apresentava de forma concisa a teoria da evolução por selecção natural, teoria que Wallace desenvolveu independentemente de Darwin.
Tal como Darwin, Wallace foi fortemente influenciado pelo ensaio de 1798 de Malthus. Colegas de Wallace, sabendo do trabalho de Darwin, encorajaram-no a corresponder-se com Darwin. Depois de receber o ensaio de Wallace, Darwin preparou uma apresentação conjunta dos seus trabalhos em Londres. Darwin completou o seu livro, ampliando o seu manuscrito que tinha escrito há tanto tempo atrás e submete-o a publicação.

Um esboço à espera


Darwin esboçou os seus argumentos a favor da evolução por selecção natural em 1842, num manuscrito preliminar. Depois de mostrar o seu manuscrito a alguns dos seus amigos cientistas mais próximos, Darwin colocou-o numa gaveta e nos 16 anos seguintes virou-se para outras investigações. Ninguém sabe ao certo por que Darwin não publicou o seu manuscrito inicial - ele era bastante profundo e apresentava detalhadamente as suas ideias. Alguns historiadores sugeriram que Darwin tinha receio de gerar cepticismo público em torno das suas ideias evolutivas, outros propuseram que Darwin esteve simplesmente refinando as suas ideias ao longo desses anos, contudo há poucas evidências de que ele tenha alterado o seu manuscrito nesse tempo todo que decorreu.

Em síntese

A teoria de Darwin incorpora a hipótese da evolução, o processo de selecção natural, e uma grande quantidade de evidências da evolução e da selecção natural que ele compilou. Assim, a teoria de Darwin fornece uma explicação simples e directa para a diversidade biológica. A explicação que Darwin dava para o facto de em regiões diferentes viverem organismos também diferentes residia na seguintes ideia: como os ambientes são diferentes nas suas exigências e oportunidades, os organismos com características localmente favorecidas pela selecção natural tendem a variar em função desses ambientes.

Selecção Artificial vs Selecção Natural


Darwin estava bastante familiarizado com as variações em animais domésticos e apresentou no seu livro “ Origem das Espécies” uma detalhada discussão sobre criação de pombos. Ele sabia que os criadores seleccionavam algumas variedades de pombos e outros animais, tais como cães, para produzir certas características - um processo que Drawin chamou de selecção artificial. Desta forma a reprodução destes animais garantia a manutenção e prevalência das características seleccionadas. Darwin observou também que as diferenças artificialmente desenvolvidas nos animais domésticos ou criações eram acentuadamente maiores do que as das espécies selvagens. Por exemplo, os pombos domésticos apresentam muito mais variação do que as centenas de espécies selvagens de pombos encontradas em todo mundo. Estas relações sugeriam a Darwin que as mudanças evolutivas também ocorriam na natureza. Seguramente, se os criadores de pombos podiam produzir tais variações por selecção artificial, a natureza também o podia, fazendo o papel de criador na selecção da próxima geração - um processo que Darwin chamou de selecção natural.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Invenção da Teoria da Selecção Natural


Uma coisa é observar os resultados da evolução, outra, muito diferente, é entender como é que ela acontece. O grande feito de Darwin prendeu-se com a formulação da hipótese de que a evolução ocorre por meio da selecção natural.

Darwin e Malthus

O estudo que Darwin dedicou à obra de Thomas Malthus “Essay on the Principle of Population (1798)” teve uma importância chave no desenvolvimento da sua teoria. No seu livro, Malthus defende que as populações de plantas e animais (incluindo os seres humanos) têm tendência a crescer geometricamente , enquanto a capacidade dos humanos de aumentar o fornecimento de alimentos apenas cresce aritmeticamente.
Como as populações aumentam geometricamente, teoricamente qualquer tipo de animal ou planta , se pudesse reproduzir-se livremente, cobriria toda a superfície do planeta num surpreendente curto espaço de tempo. No entanto as populações mantêm-se bastante constantes ano após ano, porque a morte limita o número de indivíduos da população. A conclusão de Malthus forneceu o ingrediente chave necessário a Darwin para desenvolver a hipótese de que a evolução ocorre por selecção natural.
Animado pelas ideias de Malthus, Darwin percebeu que, apesar de todos os organismos terem potencial para produzir maior descendência do que a que pode sobreviver, só um número limitado o pode fazer. Estas constatações, combinadas com as observações que ele fez na viagem do Beagle, e com experiências na criação de animais domésticos, levaram a que Darwin fizesse uma importante associação: os indivíduos que possuam superioridade física, comportamental, ou outro atributo estão em melhores condições para sobreviver que os outros que não sejam tão dotados. Sobrevivendo, eles ganham a oportunidade de passar as suas características favoráveis à sua descendência. À medida que a frequência destas características aumenta na população, a natureza da população como um todo vai gradualmente mudando. Darwin chamou a este processo selecção. As forças condutoras que ele identificou são vulgarmente conhecidas por luta pela sobrevivência.

Evidências de Darwin a favor da evolução

Fósseis

1. Espécies extintas, tais como o fóssil armadilho, muito parecidas com espécies vivas que vivem na mesma área, sugerem que as primeiras deram origem às segundas.

2. Verifica-se em rochas estratificadas mudanças progressivas nas características dos fósseis, das camadas mais antigas para as camadas mais recentes.

Distribuição geográfica

3. Terras com climas semelhantes, como a Austrália, África do Sul, Califórnia, e Chile, têm plantas e animais que não estão relacionados, indicando que a diversidade não é inteiramente influenciada pelo clima e ambiente.

4. As plantas e animais de cada continente são distintas;por exemplo, todos os roedores da América do Sul pertencem a um único grupo, estruturalmente semelhantes aos porco da índia, enquanto que a maioria dos roedores encontrados em outros continentes pertencem a outros grupos.

Ilhas oceânicas

5. Apesar das ilhas oceânicas terem poucas espécies, as que têm são únicas (endémicas) e mostram relação umas com as outras, tais como as tartarugas de Galápagos. Isto significa que as tartarugas e outros grupos de espécies endémicas desenvolveram-se depois dos seus ancestrais do continente terem chegado às ilhas e estão, portanto, mais estreitamente relacionados uns com os outros.

6. As espécies das ilhas oceânicas revelam fortes afinidades com as dos continentes próximos. Assim, os tentilhões de Galápagos muito se parecem com um tentilhão da costa oeste da América do Sul. Os tentilhões de Galápagos não se parecem com pássaros das Ilhas de Cabo Verde, ilhas situadas no Oceano Atlântico, perto da costa de África, muito semelhantes às Galápagos. Darwin visitou as Ilhas de Cabo Verde e muito outros grupos de ilhas e estabeleceu estas comparações tendo por base as suas observações.

O que Darwin viu


Quando o Beagle iniciou a sua viagem, Darwin estava completamente convencido de que as espécies eram imutáveis. De facto, foi apenas passados dois ou três anos do seu regresso que começou a considerar seriamente a possibilidade das espécies se alterarem. Contudo, durante os seus 5 anos no navio, Darwin observou um número de fenómenos que eram de importância crucial para as suas conclusões. Por exemplo, nas ricas camadas fossilíferas da América do Sul, ele observou fósseis extintos de armadilhos que ainda vivem na mesma área. Como poderiam estar na mesma área fósseis e organismos vivos semelhantes? A resposta que Darwin encontrava era de que os primeiros organismo (fósseis) deram lugar aos segundos. Nas Ilhas de Galápagos, ao largo da costa do Equador, Darwin encontrou tartarugas gigantes terrestres. Surpreendentemente, estas tartarugas não eram todas iguais. De facto, residentes locais e marinheiros que capturavam as tartarugas para alimento sabiam dizer a que ilhas elas pertenciam a partir das características das suas carapaças. Esta distribuição de variações físicas sugeriam que todas as tartarugas estavam relacionadas, e que mudaram levemente de aparência depois de se isolarem em diferentes ilhas.
Num sentido mais amplo, Darwin focava a sua atenção no facto de que as plantas e animais destas ilhas vulcânicas relativamente recentes serem parecidos com as plantas e animais da costa próxima da América do Sul. Se cada um destas animais e plantas fossem criados independentemente e simplesmente colocados nas Ilhas de Galápagos então porque razão não se pareceriam com animais e plantas de ilhas com climas semelhantes, como as ilhas da costa de África, por exemplo? Porque razão eles, pelo contrário, se pareciam com os da costa adjacente da América do Sul?

Os fósseis e os padrões de vida que Darwin observou na sua viagem a bordo do Beagle convenceram-no de que a evolução é uma realidade.

As evidências

Um dos obstáculos que bloqueou a aceitação de qualquer teoria evolutiva nos dias de Darwin foi a noção incorrecta do tempo, de que a Terra tinha apenas milhares de anos de idade. Evidências descobertas durante o tempo de Darwin fizeram com que esta asserção parecesse cada vez mais improvável. O grande geólogo Charles Lyell (1797 - 1875), cujo “Principle of Geology (1830)” Darwin leu fervorosamente enquanto navegava no Beagle, esboçava um mundo antigo de animais e plantas em mudança. Neste mundo, espécies constantemente se extinguiam enquanto outras emergiam. Era este mundo que Darwin pensava explicar.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Teoria da Evolução de Darwin (continuação)

A história de Darwin e da sua teoria começa em 1831, quando tinha 22 anos. Recomendado por um dos seus professores da Universidade de Cambridge, foi seleccionado como naturalista numa expedição cartográfica naval de 5 anos em torno da costa da América do Sul, a bordo do H.M.S. Beagle. Durante esta longa viagem, Darwin teve a oportunidade de estudar uma ampla variedade de plantas e animais de continentes e ilhas de mares distantes. Ele teve a possibilidade de explorar a riqueza biológica das florestas tropicais, de examinar fósseis extraordinários de enormes animais extintos, na Patagónia, no extremo sudoeste da América do Sul, e de observar impressionantes grupos de formas de vida distintas, mas relacionadas, nas Ilhas de Galápagos. Tal oportunidade teve claramente um papel crucial no desenvolvimento dos seus pensamentos sobre a natureza da vida na Terra.
Quando Darwin regressou da sua viagem, aos 27 anos, começou um longo período de estudo e contemplação. Durante os próximos 10 anos publicou livros importantes sobre vários temas, incluindo a formação de ilhas oceânicas a partir de recifes de coral, e a geologia da América do Sul . Ele dedicou também 8 anos de estudo às cracas e percebes, um grupo de pequenos animais marinhos com concha que vivem sobre as rochas, escrevendo um trabalho de 4 volumes sobre a sua classificação e história natural. Em 1842, Darwin e a sua família mudaram-se de Londres para a sua casa de campo em Down e neste lugar aprazível Darwin viveu, estudou e escreveu durante os 40 anos seguintes.

Darwin foi o primeiro a propor a selecção natural como explicação para o mecanismo da evolução, que produz diversidade de vida na Terra. A sua hipótese cresceu a partir das observações que fez numa viagem de 5 anos à volta do mundo.

Teoria da Evolução de Darwin

A teoria da evolução de Darwin descreve e explica como os organismos que habitam a Terra sofreram alterações ao longo dos tempos e adquiriram uma diversidade de novas formas. Esta famosa teoria fornece um bom exemplo de como um cientista desenvolve uma hipótese e como uma teoria científica cresce e ganha aceitação.
Charles Robert Darwin (1809 - 1882) foi um naturalista inglês que, depois de 30 anos de estudo e observação, escreveu um dos mais famosos e influentes livros de todos os tempos. Este livro, “On the Origin of Species by Means of Natural Selection, or The Preservation of Favoured Races in the Struggle for Life”, criou uma grande sensação onde foi publicado, e as ideias que Darwin revelou nele tiveram um papel central no desenvolvimento do pensamento humano dali para a frente.
No tempo de Darwin, a maioria das pessoas acreditava que os diferentes tipos de organismos, e as suas estruturas individuais, resultaram de acções directas do Criador ( e ainda hoje muitas pessoas acreditam-se nisto). Considerava-se que as espécies tinham sido criadas de forma especial e se tinham mantido inalteradas ou imutáveis ao longo dos tempos.
Em contraste com estes pontos de vista, alguns filósofos defendiam que os seres vivos deviam ter sofrido alterações ao longo da história da vida na Terra. Darwin propôs o conceito a que ele chamou de selecção natural como explicação coerente e lógica para este processo, e chamou a atenção das suas ideias a um vasto púbico. O seu livro, como o seu título indica, apresenta uma conclusão que diferia de forma abrupta da sabedoria convencional. Apesar desta teoria não desafiar a existência de um Criador Divino, Darwin defendia que este Criador não se cingiu a criar coisas e depois deixá-las inalteradas para sempre. Em vez disso, Deus expressava-se a Si próprio através da operação das leis naturais, que produziam alterações ao longo do tempo, ou evolução. Estes pontos de vista colocaram Darwin numa posição difícil em relação à maior parte das pessoas do seu tempo, que se acreditavam numa interpretação literal da Bíblia e aceitavam a ideia de um mundo fixo e constante. A sua teoria revolucionária causou incómodos profundos não apenas aos seus contemporâneos, como também ao próprio Darwin.